CONHEÇA O TOCOÍSMO - I - Origem da Igreja

24-09-2011 21:20

 

 

EXTRAIDO DA OBRA: Introdução ao Tocoismo, de Vasco Pedro Nzila

Publicada pelo GCNET em Agosto de 2008

1. Tocoismo

O Tocoísmo é a doutrina religiosa fundamentada no verdadeiro ensinamento de Jesus Cristo. Ou seja, que liberta o homem das trevas do pecado. É um cristianismo puro; ou seja a doutrina autêntica de Cristo.

Esse termo «Tocoísmo» deriva do nome do Mensageiro de Deus, o Apóstolo, Profeta, Evangelista e Maestro, o Dirigente dos Tocoístas, senhor Simão Gonçalves Toco.

2. O Dilúvio de Lunzamba

De acordo com a narrativa Tocoísta, em tempos idos um dilúvio terá afectado uma determinada região que englobava mais de três povoações, tendo apenas membros de uma só família conseguido escapar a tragédia.

O infortúnio ocorrido no referido local, gerou uma lagoa que passou a ser designada de Yanga die Lunzamba “Lagoa de Lunzamba”

Fora desta forma que Deus decidira castigar severamente, por intermédio do Profeta Nakumi1, os populares que habitavam nas povoações desaparecidas, por causa da sua elevada maldade.

Pois, de acordo com as fontes, no tempo passado, Deus ordenara um enviado celestial de nome Nakumi para uma visita aos povos da terra. Ao chegar naquela localidade, Nakumi, simulando de estar a padecer de sede, suplicou aqueles povos para que lhe dessem água para beber. Mas como exibia um corpo que assemelhava-se a de um homem pobre, doentio, mal cheiroso e cheio de chagas no corpo, andava de casa em casa, mas apenas na última encontrara uma adolescente que lhe tinha servido com todo o carinho. Depois de comer e beber, ordenou à menina que fosse chamar o seu pai, sua mãe e seus irmãos, dizendo que tinha um recado urgente para os transmitir. Quando estes chegaram, o Nakumi dissera-lhes quem era e o objectivo da sua missão; e só depois disso é que ordenara-os: “Tomai agora mesmo os vossos haveres e comecem a transporta-los para o topo do monte (indicara-lhes o monte Kitumisiko). Porque este povo, a partir de hoje, não será mais digno de permanecer neste mundo, assim como a respectiva aldeia não voltará mais a existir”.

Mal aquele mensageiro celestial terminara de instruir os membros da família salva, o céu começara a escurecer, exibindo sinais de chuva, o que atraíra todos os aldeões a abandonar as lavras e voltarem rapidamente ao encontro de suas habitações.

Depois dos membros da família salva carregaram os seus últimos, já próximos do topo do monte Kitumisiko, ouviram o céu a trovejar e, olhando para trás, viram que a chuva começara a abater sobre a aldeia, mas caía com muita intensidade, até ter acumulado na terra grandes porções de água que cobriram todas as casas, até que a aldeia desaparecera completamente da face da terra2. Assim sendo, os membros da família sobrevivente, não podendo mais voltar a habitar naquele local, conforme recomendações daquele enviado celestial, decidiram iniciar a sua vida normal na localidade de Sadi. Terra esta que conhecera bons progressos, comparado com as demais aldeias que existiram na região. Se considerarmos o facto de que todos os sobas que se sucederam no governo da aldeia eram da linhagem do clã de Kimadungu, não restará dúvidas de que a fundação da aldeia de Sadi deve-se aos membros da família sobrevivente do dilúvio.

Portanto, é num dos bairros da aldeia em referência, concretamente na povoação de Zulumongo3 que em 1918, viria a nascer o profeta Simão Gonçalves Toco.

No entanto, este nascera numa linhagem paterna que descende dos antigos sobreviventes de Lunzamba. Contudo, desconhece-se quando tal fenómeno acontecera e qual o número de gerações passadas até se chegar ao nascimento do Profeta Simão Toco.

O senhor Simão Gonçalves Toco, o homem que veio dar continuidade a reforma iniciada por Martinho Lutero, trazendo a pureza na Igreja na qualidade de Último Mensageiro de Deus enviado para toda a humanidade nos últimos dois milénios, nasceu exactamente no dia 24 de Fevereiro de 1918, na povoação de Mbanza Zulumongo, aldeia de Sadi, no município de Maquela do Zombo, na província do Uige, no norte da República de Angola. E mais tarde viria dedicar toda a sua obra na educação cristã dos povos, ensinando-os a guardarem os mandamentos da lei de Deus. No entanto, Toco deve boa parte desses seus conhecimentos da palavra de Deus à Sociedade Missionária Baptista, onde ingressara quando tinha ainda os seus 8 anos de idade; isto é em Janeiro de 1926, tendo saído em 1949.

3. Crença

 

Os Tocoístas crêem em Jeová, Deus Pai Todo-poderoso; em Jesus Cristo, o Salvador e no Espírito Santo, o Consolador e em nada mais crêem.

Com isso, quer-se dizer que os Tocoístas acreditam:

  • Na existência dos anjos (criaturas de Deus e invisíveis ao olho humano, mas que desempenham missões importantes no Universo);
  • Na segunda vinda de Cristo;
  • Na ressurreição dos mortos;
  • No Juízo Final;
  • Na Vida Eterna;
  • Nos homens de Deus ou profetas enviados por Deus, o Todo Poderoso; mencionados ou não na Bíblia Sagrada, em diferentes épocas e lugares da terra para transmitirem a sua vontade aos povos; sendo o senhor Simão Gonçalves Toco o Último Mensageiro de Deus que encerrou a carreira dos profetos no segundo milénio do Cristianismo.

Portanto, os Tocoístas acreditam que Deus derramou o seu Espírito Santo no mundo para auxiliar os membros da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo. E que Deus continua enviar os seus espíritos, os anjos, os profetas e os mensageiros para consolar o seu povo; mas que todos seguem a mesma orientação de Deus e não se opõem entre si e não contrariam o ensinamento dos profetas contidos na Bíblia Sagrada. Todo aquele espírito, que contraria a ordem Divina que Deus estabeleceu na Igreja, através do seu Mensageiro Simão Gonçalves Toco, é considerado demoníaco.

Neste sentido, podemos observar que o Tocoísmo é uma religião monoteísta, porque presta culto ao Deus, Único, o Todo-poderoso. As pessoas que afirmam que os Tocoístas adoram o profeta Simão Toco como seu Deus, não conhecem o fundo do Tocoísmo. Porque os Tocoístas prestam culto ao Deus adorado pelo profeta Simão Gonçalves Toco, que na língua Kikongo, sua língua materna, se designa «Yave wa Nzambi a Mpungu Ngolo», que traduz-se «Jeová, Deus Todo-Poderoso» ou seja El Shaddai, Eloim, Allah, Eli, etc, em outras línguas faladas no mundo.

O Deus «Yave wa Nzambi a Mpungu» ou simplesmente «Yave» ou «Nzambi ampungu» é o Criador dos céus e da terra e tudo quanto existe. É o Deus que está acima de tudo e de todos, ao qual os Tocoístas dirigem as suas orações (pedidos de bênçãos, penitência dos seus erros, protecção, paz e segurança). O Yave é o Deus de Abraão, Jacob, Isaac, Moisés, Jesus Cristo, Muhamad (Maomé), Martinho Lutero, Charles Russel, Simão Kimbango, André Matchwa, Simão Mpadi Buka Makengo Nsuka e todos os monoteístas; e que é o Deus do Simão Gonçalves Toco. Pois não existe qualquer expressão linguística comum e polivalente para designar o nome de Deus. Cada povo expressa e professa o nome de Deus Todo-Poderoso na sua própria língua. Se fazer-se consulta as bíblias traduzidas em Kikongo, Kimbundu, Swahili, Francês, Árabe, Chinês, Grego, etc., constatamos que Deus se revela a cada povo na sua própria língua, sem qualquer recurso ao estrangeirismo.

4. Factores de Surgimento

O profeta Simão Toco que tem uma longa história, que não podemos narrar nesta obra, como homem que deu origem a religião de inspiração afro-cristã, o Tocoísmo. Como se sabe, o Tocoísmo surge em 1949, precisamente no dia 25 de Julho, data que os Tocoístas celebram a descida do Espírito Santo em África e a relembrança da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo - que os Tocoístas dirigem – escreve o Profeta que sempre defendera o princípio de que todas as igrejas cristãs devem responder pela mesma denominação e promover  Jesus Cristo como único fundador da sua Igreja. A visão de Simão Toco era de unidade na fé e denominacional de todos os cristãos. 

É este espírito que transmitira aos Tocoístas, com apelos constantes de que, mesmo que todos os cristãos do mundo continuem divididos, os Tocoístas devem manter-se coesos, para que o seu cristianismo possa servir de modelo a ser imitado por todos. 

5. O por quê da relembrança

Relembrar a Igreja significa:

    1 - Recordar o verdadeiro ensinamento de Cristo;

    2 - Reerguer ou pôr novamente de pé a verdadeira identidade desta mesma Igreja;

    3 - Corrigir os erros cometidos pelos antigos de deturpar o verdadeiro ensinamento de Cristo;

    4 - Fazer lembrar a humanidade que a Igreja de Cristo deve ser designada no nome de seu Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo, e ninguém pode colocar outro fundador no lugar Deste. Mas que existe uma designação que une os cristãos de todo mundo, que é seguinte: IGREJA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO NO MUNDO, fundada pelo Senhor Jesus Cristo e RELEMBRADA pelo profeta Simão Gonçalves Toco ou pelo Pastor ou Servo de Deus… assim suces-sivamente. Porque, se a Igreja de Cristo é desde os céus até a terra, então as demais pessoas não fundam a Igreja, mas recordam ou relembram a mesma ou dão continuidade a obra iniciada por Nosso Senhor Jesus Cristo, o Salvador.

Por isso, às demais pessoas que colocam-se como fundadores da Igreja de Cristo, deturpam a verdade. Também admitimos a existência de várias igrejas ou seitas cristãs cujos fundadores são os seus promotores ou organizadores. Estas tais, como podemos perceber são igrejas criadas com finalidade de sociedades filantrópicas ou comerciais, porque visam proveitos meramente materiais; pese no seu seio preguem o ensinamento de Cristo, mas não passam de estratégias de subsistência de seus fundadores.

Portanto o desvio da sã Doutrina pode ser constatada no manifesto de Martinho Lutero e seus companheiros que fala da “Reforma Protestante». Neste sentido, os Tocoístas fundamentam que a designação que melhor identifica a Igreja de Cristo é a de Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo. E o senhor Simão Gonçalves Toco fundamentou porque razão a Igreja de Cristo não pode ter outro fundador, senão o próprio Cristo. Ele reprova o facto de muitas igrejas que dizem serem cristãs e se apresentam com outros fundadores no lugar de Cristo. Logo, todas as igrejas cristãs que não têm como fundadores o próprio Cristo, não pertencem a Cristo; pertencem aos seus fundadores. No entanto, são organizações criadas para fins filantrópicos, para delas tirar proveitos materiais.

No dia em que os discípulos do senhor Simão Gonçalves Toco foram expulsos da Missão BMS, na cidade de Leopoldville, os diáconos Daniel Nswamani e Mankota André reagiram à ordem de expulsão nos seguintes termos: “Senhor missionário Reinolds.  Hoje as coisas viraram assim… antes diziam-nos que a Igreja era pertença de todos nós, mas hoje mudaram de linguagem, a Igreja já não é nossa, agora é somente «vossa». Muito obrigado por isso tudo. Contudo, vocês ficam com a vossa Igreja, porque a partir de agora, nós também vamos adorar o Deus que os nossos antepassados adoraram no passado”.

Realmente o diácono Mankota André referia-se de «Nzambi a Mpungu» adorado pelos ancestrais kikongo antes da ocupação europeia em África e que traduz-se por Deus Todo-poderoso. Desta feita, quando as multidões se dirigiram à casa do seu Dirigente Simão Gonçalves Toco, este por sua vez apelara-os a manter inteira calma, dando-os algum conforto.

E ao longo do seu ensinamento, o senhor Simão Gonçalves Toco explicara a diferença existente entre a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo e as sociedades religiosas que se fundamentam no Cristianismo: «As sociedades missionárias não são igrejas. São organizações sociais religiosas fundadas pelos missionários visando fins filantrópicos ou benefícios materiais». Por isso, eles podem nos desamparar, mas Nosso Senhor Jesus Cristo, o Fundador da sua Igreja nunca nos desamparará. Por isso, é errado dizer Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, fundada pelo profeta Simão Gonçalves Toco. Ele, apenas relembrou os ensinamentos de Cristo e não fundou a Igreja.

 

OBS: Para quem queira melhor compreender o Tocoismo, aconselhamos a nos contactar pelo email: gcnetoco@gmail.com ou atraves da Caixa Postal  nº 2861 - Luanda/Angola.


1 Trata-se do profeta Naúm, Nakumi em Kikongo. Naúm 2:1-2. Na localidade onde actualmente situa-se a lagoa Lunzamba em Makela do Zombo, outrora havia nela uma aldeia, mas devido a malvadez dos seus habitantes, Deus submeteu-a a prova, à semelhança de Sodoma e Gomora.

2 Costuma dizer-se, as pessoas que passam nas proximidades da lagoa de Lunzamba, às vezes, se deparam com alguns sinais místicos, como galos a cantarem, homens batucando, roupas estendidas sobre a superfície das águas e tantos outros sinais maravilhosos.

3 Zulu mongo porque erguia-se num sítio montanhoso

 

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